É possível criar um site com inteligência artificial e colocá-lo no ar mesmo sem dominar programação. O processo completo envolve algumas etapas que a IA não elimina: escolher um domínio, contratar uma hospedagem, preparar o projeto localmente, conectar o computador ao servidor e validar o resultado em produção.
Foi exatamente isso que fiz na live Vibe Coding na Prática #32. Em pouco mais de três horas, saí de uma ideia simples para uma landing page funcional, publiquei o projeto em um domínio real e ainda mostrei como o mesmo raciocínio pode ser usado em WordPress, HTML, PHP ou em um sistema com banco de dados.
Resposta rápida
Para criar e publicar um site com IA, você precisa de cinco coisas: uma ideia bem explicada, um agente de programação como o Codex, uma pasta local para o projeto, um domínio e uma hospedagem com acesso SSH. A IA cria os arquivos, ajuda a testar e pode fazer o deploy, mas você continua responsável por revisar conteúdo, segurança, funcionamento e dados reais do negócio.
O que você precisa antes de começar
Na live, usei o Codex, mas o método não depende de uma única ferramenta. Também pode ser adaptado para Claude Code, Antigravity, OpenCode ou outro agente capaz de trabalhar nos arquivos do computador e executar comandos. A interface muda. A lógica de trabalho continua parecida.
O ponto mais importante é entender a diferença entre três ambientes:
- Projeto local: os arquivos estão no seu computador e só você consegue acessá-los.
- Servidor de hospedagem: é o computador conectado à internet que entrega o site aos visitantes.
- Domínio: é o endereço que aponta para esse servidor, como seusite.com.br.
Se o projeto for WordPress, vale instalar o LocalWP. Ele cria uma instalação completa no computador, com PHP, banco de dados e painel administrativo. Para um site estático em HTML, CSS e JavaScript, basta criar uma pasta normal e abrir essa pasta no agente de IA.
Antes de pedir qualquer código, escreva o objetivo do site, o público, as páginas, os serviços, os dados de contato e as ações que o visitante deve realizar. Um prompt curto pode gerar uma primeira versão. Um contexto claro costuma economizar muitas correções.
1. Escolha e registre o domínio
O domínio é o nome público do projeto. Para endereços terminados em .br, você pode comprar diretamente no Registro.br ou contratar pela própria empresa de hospedagem. Comprar tudo no mesmo painel costuma ser mais simples para quem está começando. Registrar separadamente pode sair mais barato e oferece maior independência.
Na demonstração, registrei um domínio de teste durante a transmissão. O processo é o mesmo de uma loja virtual: pesquisar a disponibilidade, preencher os dados do titular, escolher o período de registro e pagar. Leia também o preço de renovação. Uma oferta barata no primeiro ano pode ter outro valor a partir do segundo.
Depois da compra, o domínio precisa apontar para os servidores DNS da hospedagem. O painel contratado informa os nameservers corretos. Alguns serviços fornecem dois endereços; outros, quatro. Copie exatamente o conjunto fornecido pela sua hospedagem.
A propagação não é instantânea. Durante alguns minutos ou horas, o endereço pode abrir o site antigo, exibir aviso de segurança ou ainda não responder. Evite mudar as configurações várias vezes enquanto a propagação está em andamento.
2. Contrate uma hospedagem adequada ao projeto
Na live, usei a Napoleon Host, que faz parte do meu fluxo de trabalho há anos. Também deixei a Hostinger como alternativa. Os links são de indicação e podem gerar comissão sem aumentar o preço para você.
Uma landing page, um blog pequeno ou um site institucional costuma funcionar em hospedagem compartilhada. Um SaaS com muitos usuários simultâneos, tarefas em segundo plano e banco de dados pesado pode exigir VPS ou servidor dedicado. Não faz sentido contratar uma estrutura cara para validar uma ideia simples, mas também não é prudente colocar um sistema crítico em um plano sem recursos suficientes.
Confira se o plano oferece:
- acesso SSH;
- certificado SSL;
- backup e restauração;
- banco MySQL ou MariaDB, quando necessário;
- versão de PHP compatível com o projeto;
- contas de e-mail, caso o formulário envie mensagens pelo domínio;
- suporte capaz de ajudar com DNS e permissões.

3. Configure o acesso SSH com segurança
SSH é o protocolo usado para administrar o servidor pelo terminal. Na prática, ele permite que o agente envie arquivos, execute comandos e confira o que está acontecendo na hospedagem.
No cPanel, procure por “Acesso SSH” ou “Gerenciar chaves SSH”. Gere um par de chaves, autorize a chave pública e baixe a chave privada no computador. Se o painel pedir uma senha da chave, essa senha protege o arquivo privado e não deve ser confundida com a senha da conta de hospedagem.
Não cole chaves privadas em conversas comuns, não publique credenciais no GitHub e não deixe senhas dentro do código. Use o mecanismo seguro de credenciais do agente ou carregue a chave por um gerenciador apropriado. Se uma credencial aparecer em vídeo, print, log ou repositório, revogue e gere outra.
Antes do primeiro deploy, peça apenas um teste de conexão. Depois confirme o diretório correto do domínio. Em hospedagens compartilhadas, enviar os arquivos para a pasta errada pode substituir outro site da mesma conta.
4. Crie o site conversando com a IA
O projeto usado na live foi uma clínica veterinária fictícia. Pedi uma landing page de uma única página, com identidade visual, serviços, mapa, WhatsApp, formulário e animações. A intenção era mostrar o que acontece quando uma pessoa sem experiência técnica explica a necessidade em linguagem comum.
Um pedido inicial poderia ser assim:
Crie uma landing page responsiva para uma clínica veterinária.
Ela atende cães e gatos e oferece consultas, vacinas e exames simples.
Inclua apresentação, serviços, localização, WhatsApp e formulário de contato.
Use um visual profissional, carregamento rápido e boa leitura no celular.
Antes de concluir, teste os links, o formulário e a responsividade.
A primeira versão raramente é a versão final. Abra o site e descreva o que incomodou: contraste fraco, logo pequeno, texto genérico, espaçamento ruim, formulário confuso ou aparência quebrada no celular. Faça pedidos objetivos e revise uma alteração por vez.
Falar por voz também funciona bem para explicar uma ideia longa. A linguagem pode ser natural, desde que os dados importantes estejam claros. Nome do negócio, cidade, serviços, telefone, e-mail e limitações precisam ser reais antes da publicação.
WordPress, tema, plugin ou site estático?
Essa escolha muda a estrutura do projeto.
Site estático: indicado para páginas simples com conteúdo pouco alterado. Pode usar somente HTML, CSS e JavaScript. É leve e fácil de hospedar, mas não oferece painel editorial por padrão.
Tema WordPress: controla a apresentação do site. É adequado quando o projeto precisa de blog, páginas editáveis e templates próprios sem depender de um construtor visual. Veja o tutorial completo sobre como criar um tema WordPress com inteligência artificial.
Plugin WordPress: concentra funcionalidades que devem continuar existindo mesmo se o tema mudar, como cadastros, integrações, relatórios e tipos de conteúdo. Se você pretende continuar usando Elementor para o visual, geralmente é melhor colocar a regra de negócio em um plugin. Leia também como criar plugins para WordPress com IA.
O artigo sobre Vibe Coding no WordPress aprofunda essa relação entre agentes, contexto, temas, plugins e sistemas personalizados.

5. Teste antes de fazer o deploy
Na transmissão, a IA conseguiu criar os arquivos rapidamente. O trabalho seguinte foi abrir, revisar e pedir ajustes. Essa etapa separa uma demonstração bonita de um site utilizável.
Faça pelo menos estas verificações:
- Abra todas as páginas e links.
- Teste em um celular real ou em largura próxima de 390 pixels.
- Confira se não existe rolagem horizontal.
- Envie o formulário e confirme tanto o cadastro quanto a entrega do e-mail.
- Verifique títulos, descrição, texto alternativo das imagens e hierarquia dos subtítulos.
- Procure erros no console do navegador.
- Comprima imagens e elimine arquivos que não são usados.
- Faça backup do destino antes de substituir um site existente.
Em WordPress, revise permissões, nonces, sanitização, escape de saída e consultas ao banco. Em sistemas com login, teste também recuperação de senha, níveis de acesso e tentativas inválidas. A IA ajuda na auditoria, mas precisa receber esse pedido de forma explícita.
6. Faça o deploy para o servidor
Deploy é o envio de uma versão testada para o ambiente público. Depois que o SSH estiver configurado, você pode pedir ao agente:
Conecte-se ao servidor usando a credencial SSH selecionada.
Confirme o domínio e o diretório de publicação sem alterar nada.
Faça backup dos arquivos atuais.
Envie somente os arquivos necessários para executar o site.
Depois valide a URL pública em desktop e celular.
Não exiba credenciais, tokens ou conteúdo de arquivos sensíveis.
O agente deve confirmar o destino antes de copiar qualquer coisa. Um bom deploy também registra o que foi enviado, mantém um backup recuperável e confere a resposta pública. Receber HTTP 200 não prova que o site está certo. É preciso abrir a página, testar recursos e observar se CSS, JavaScript, imagens e formulários funcionam.
Na live, o primeiro site ficou público rapidamente. O certificado SSL ainda precisou de alguns minutos para ser emitido. Esse comportamento é normal em um domínio recém-configurado. Não ignore o aviso de segurança como solução definitiva; aguarde o SSL e confirme que o endereço final abre em HTTPS.
GitHub também faz parte do processo
Guardar o código em um repositório cria histórico e facilita voltar a uma versão anterior. Na demonstração, também publiquei um projeto no GitHub e mostrei um problema comum: a página abriu, mas os caminhos do CSS e do JavaScript não estavam preparados para o GitHub Pages.
Isso ensina uma regra útil. Um projeto funcionar localmente não garante que funcionará em outro endereço. Caminhos absolutos, pasta base, processo de build e variáveis de ambiente precisam considerar o local de publicação. Quando a tela ficar branca, abra o console e a aba de rede antes de pedir para a IA “refazer tudo”. Muitas vezes o erro está em um arquivo que não foi encontrado.
Como evoluir a primeira versão sem perder o controle
Depois da landing page, transformei a demonstração em algo maior: tema WordPress, blog, integração de SEO, formulário por SMTP e um pequeno sistema com usuários, clientes, pacientes e agendamentos. Essa evolução mostra o potencial do Vibe Coding, mas também mostra onde o risco cresce.
Cada nova função traz dados, permissões e manutenção. Antes de abrir acesso remoto ao banco, restrinja os IPs autorizados. O caractere curinga que libera qualquer origem pode facilitar um teste, mas não é uma configuração adequada para produção. Crie usuários de banco com as permissões mínimas necessárias e troque credenciais usadas durante demonstrações.
Organize o trabalho em versões pequenas:
- primeiro, uma página funcional;
- depois, conteúdo real e identidade visual;
- em seguida, formulário e integrações;
- por último, painel, banco, pagamentos e automações.
Esse ritmo permite testar cada parte e construir portfólio. Uma clínica fictícia bem-acabada pode demonstrar sua capacidade para um cliente real. Só deixe claro que é um projeto de demonstração e nunca invente depoimentos, registros profissionais ou resultados comerciais.
Skills e agentes especializados melhoram a revisão
Na parte avançada da live, mostrei como as Skills fornecem instruções reutilizáveis ao agente. Você pode ter uma Skill para segurança WordPress, outra para banco de dados, outra para SEO e outra para design responsivo. Em vez de repetir vinte regras a cada conversa, você chama o conjunto adequado ao projeto.
Agentes paralelos também ajudam em tarefas separáveis, como revisar segurança, testar interface e analisar banco. Ainda assim, alguém precisa integrar os resultados e verificar se uma correção não quebrou outra parte. Delegação automática não substitui critérios de aceite.
Na Academy Dante Testa, mantenho produtos, prompts, Skills e materiais para quem quer praticar esse fluxo. Também realizo suporte e mentoria ao vivo às quartas-feiras. A conta gratuita já permite conhecer a plataforma e acompanhar os materiais disponíveis.
Continue aprendendo: temas e plugins WordPress com IA
Depois de dominar o fluxo para criar um site e colocá-lo no ar, o próximo passo é entender onde cada parte deve viver dentro do WordPress. Separei abaixo dois tutoriais práticos do meu canal: um para construir a apresentação do site como tema e outro para desenvolver funcionalidades reutilizáveis como plugin.
Como criar um tema para WordPress com inteligência artificial
Neste vídeo, você acompanha o processo de criação de um tema WordPress personalizado com IA, desde a estrutura inicial até os templates e o visual do frontend. É o caminho indicado quando seu objetivo é controlar layout, identidade e experiência editorial sem carregar um tema genérico cheio de recursos desnecessários.
Se quiser consultar o conteúdo em formato de leitura, acesse também o guia sobre como criar um tema WordPress com inteligência artificial.
Como criar plugins para WordPress com inteligência artificial
O segundo tutorial mostra como transformar uma necessidade específica em plugin. Essa abordagem faz sentido para formulários, integrações, cadastros, automações e regras de negócio que precisam continuar funcionando mesmo que o tema seja trocado.
Para aprofundar arquitetura, segurança e distribuição, leia o artigo complementar sobre criação de plugins WordPress com IA.
Perguntas frequentes
Preciso saber programar para criar um site com IA?
Você pode criar uma primeira versão sem escrever código. Para publicar profissionalmente, precisa ao menos entender domínio, hospedagem, arquivos, segurança, testes e manutenção. A IA reduz a barreira técnica, mas não assume a responsabilidade pelo projeto.
Qual é a melhor inteligência artificial para criar sites?
Use um agente que consiga acessar a pasta do projeto, editar arquivos, executar testes e trabalhar com o terminal. Na live, usei o Codex. O melhor resultado depende mais do contexto, dos testes e da revisão do que do nome da ferramenta.
É possível criar um site com IA gratuitamente?
Existem agentes com planos gratuitos e opções de hospedagem sem custo para testes. Um domínio próprio e uma hospedagem comercial normalmente têm cobrança. Considere também renovação, e-mail, backup e suporte.
Como colocar um site HTML no ar?
Envie o arquivo index.html e seus assets para a pasta pública do domínio, usando o gerenciador de arquivos, Git ou SSH. Confirme os caminhos do CSS, JavaScript e imagens e abra a URL pública em uma janela anônima.
Posso usar o mesmo processo para WordPress?
Sim. Desenvolva em uma instalação local, transforme apresentação em tema e funcionalidades em plugin, faça backup do destino e migre arquivos e banco com cuidado. Não substitua diretamente um WordPress em produção sem ter um plano de restauração.
O que devo pedir à IA antes do deploy?
Peça lint, testes, revisão responsiva, auditoria básica de segurança, backup do destino, lista positiva de arquivos e validação pública. Informe que credenciais nunca devem aparecer no terminal, no conteúdo ou no repositório.
Da ideia ao endereço público
O fluxo completo cabe em uma frase: descreva o projeto, construa localmente, revise, conecte por SSH, publique e teste de novo. Na prática, cada verbo representa uma responsabilidade. É justamente por isso que acompanhar o processo inteiro vale mais do que copiar um prompt pronto.
Assista à live incorporada no início deste artigo para ver o domínio sendo registrado, a hospedagem configurada, os projetos criados e o deploy acontecendo. Depois escolha uma ideia pequena e execute o mesmo caminho. Quando surgir uma dúvida específica, leve o projeto para a Academy ou agende uma orientação. Resolver um problema real continua sendo a forma mais rápida de aprender Vibe Coding.